Brasil Acima de Zero


Brasil Acima de ZeroMarta Castro“E aprendi que se depende sempre

De tanta, muita, diferente gente

Toda pessoa sempre é as marcas

Das lições diárias de outras tantas pessoas”

Gonzaguinha

 

Em fevereiro o mundo acompanhou as Olimpíadas de Inverno de Sochi e em março poderá acompanhar a versão paraolímpica do evento.

Assim como no mundo empresarial, o mundo dos esportes é cheio de exemplos de superação. Pessoas que acreditaram em si mesmas ou que tiveram o apoio de parentes, amigos e técnicos que acreditaram nelas.

São histórias como a do patinador norte-americano Jeremy Abbott, que sofreu uma queda grave na sua apresentação e, quando todos acharam que era o fim, se levantou , retomando a coreografia de onde tinha parado, mesmo esboçando fortes dores. Ou da patinadora canadense Jonnie Rochette, que tinha perdido sua mãe dois dias antes da sua primeira apresentação e que buscou na sua dor inspiração para fazer uma das mais belas performances do campeonato.

Atletas, como o também norte-americano Kris Freeman, que foi diagnosticado com diabetes tipo 1 quando tinha 21 anos. Na época, consultou vários médicos que lhe disseram não ser possível ter aspirações olímpicas, sendo portador da doença. Ele persistiu até encontrar um médico que acreditou nele e o apoiou. Sochi é a quarta olimpíada em que Freeman defende os Estados Unidos no esqui cross-country.

No Brasil, é o exemplo de André Cintra, que teve uma das pernas amputadas ao sofrer um acidente de moto aos 18 anos. Em vez de lamentar o ocorrido, André foi em frente conseguiu superar as adversidades. Hoje, com 34 anos, ele pratica kitesurfe, wakeboard, mountain bike, corrida, está aprendendo a surfar de stand up paddle (surfe de pé com remos) e vai nos representar nas Paraolimpíadas 2014 na categoria snowboard, onde figura entre os 18 melhores do mundo.

Além das superações físicas e emocionais, encontramos também superações de ordem prática, que envolvem questões financeiras e de estrutura. Estas são comumente enfrentadas pelos brasileiros. Como lutadores que somos, fomos para Sochi, a despeito da falta de equipamentos, patrocínios e lugares adequados para treinar.

Tenho um amigo empresário que diz que “é fácil ser competente numa empresa que lhe provém todos os recursos (humanos, financeiros, físicos). Difícil é ser competente quando o ambiente é desfavorável, quando falta tudo. Os que conseguem, são os verdadeiros vencedores”.

O Brasil chegou à gelada Sochi com uma equipe de 13 atletas e, apesar de ter saído de lá sem medalhas, é preciso reconhecer que o fato de serem classificados já coloca estes atletas entre os melhores do mundo. Esta turma poderia estar assistindo aos jogos pela televisão, mas devido à paciência, a persistência e a paixão pelo que fazem, entraram para a história do esporte nacional e mundial.

A maior delegação verde-amarela da história da competição tentou mostrar que ser de uma nação tropical não impede ninguém de sonhar com o sucesso na neve. Eles competiram em esportes como esqui cross country, snowboard cross, bobsled, esqui alpino slalom e esqui aerials, dentre outros cujos nomes a maioria de nós sequer ouviu falar.

Agora, a preocupação dos responsáveis por esta delegação é que os atletas mais experientes, que não raro já passaram dos 35 anos, podem ter feito sua última participação olímpica. Pior: sem conseguirem deixar claro se há uma reposição em suas modalidades.

Se pudéssemos dar um conselho aos nossos atletas diríamos que, assim como nas empresas é necessário formar novas e melhores gerações de empresários, precisamos de novas e melhores gerações de esportistas. E isso só é possível se eles entenderem seu papel diante da nação de uma forma mais ampla, passando a acreditar nos futuros talentos, assim como alguém um dia acreditou neles. Assim como nós acreditamos!<< Voltar