Crise e oportunidade realmente andam juntas?


Alguns dias depois de estarem neste país, um dos vendedores enviou uma mensagem ao diretor: “Favor enviar passagem de volta. As pessoas aqui não usam sapatos. Não é da cultura deles. Não iremos conseguir vender nenhum par.”

Neste mesmo dia o diretor também recebeu mensagem do outro vendedor: “Favor enviar minha mudança. As pessoas aqui não usam sapatos. Temos que mudar a cultura deles para vender sapatos a todos.”

Quando nós mudamos a nossa maneira de pensar, nós conseguimos fazer as coisas de forma diferente, pois como dizia Albert Einstein “insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes.”

Mudar a forma de pensar não é tarefa fácil. Somos condicionados a determinados paradigmas desde a mais tenra infância com a educação familiar, passando pela educação na instituição escola até chegarmos à vida profissional. Nosso modelo educacional requer respostas prontas para todo e qualquer questionamento. São os chamados paradigmas que ficam enraizados em nossas mentes.

“O avião é um invento interessante, mas não vejo nele qualquer utilidade militar.”
Marechal Ferdinand Foch, da Escola Superior de Guerra da França, 1911 – maior autoridade militar do mundo à época.

“Não há qualquer razão para as pessoas terem um computador em casa.”
Ken Olsen, presidente da Digital Equipment Corporation, 1977.

Estas eram as verdades absolutas em suas respectivas décadas. As pessoas mais respeitadas em seus respectivos ramos de atuação pensavam com os paradigmas do passado.

Pensar diferente requer descondicionamento e visualização de cenários futuros a partir do cenário existente.

Como se faz isso?

Exercitando continuamente o Planejamento Estratégico que se inicia pela leitura dos cenários na sua comunidade, cidade, estado, país e mundo.

A participação da equipe dirigente no Planejamento Estratégico é fundamental para que se tenha tanto o sentimento dos desejos e necessidades do cliente[1], como dos parceiros externos (fornecedores), parceiros internos (colaboradores) e concorrentes.

Por falta de uma análise ampla do cenário mundial com a não percepção da retração da economia chinesa, reduzindo bastante a compra de commodities, várias mineradoras de Serra Azul em Minas Gerais perderam seu valor de mercado.

Indústrias que antes recusaram propostas de bilhões de reais para serem compradas, hoje, com o atual preço do minério de ferro, lutam para pagar suas contas e sair do prejuízo.

A falta de Planejamento Estratégico com visão de longo prazo, em muito explica o momento por que passa nosso país com enormes turbulências no aspecto econômico e político:

Projeção de PIB para 2015, próximo ou inferior a zero;
Inflação acima da meta com perspectivas de alta;
Balança comercial desfavorável;
Contas governamentais em absoluto descompasso entre receita e despesa.
Corrupção desenfreada nos poderes executivo e legislativo.

Do momento em que este artigo foi escrito até a sua publicação por certo já devem ter emergido outras tantas notícias desalentadoras, no ritmo em que estão sendo produzidas.

Em outras palavras, a crise está instalada e diante deste cenário, como devem agir os empresários? Colocar o pé no freio ou no acelerador?

A JBS Foods (antiga Seara) pretende ampliar sua verba publicitária de R$ 150 milhões em 2014 para R$ 350 milhões neste ano[2].

Um Cliente nosso da área de varejo de moda está igualmente colocando o pé no acelerador com a substituição da empresa de publicidade, recontratando uma consultoria especializada em técnicas de vendas para fortalecer a sua equipe e nossa consultoria para consolidar a cultura empresarial e garantir:

As pessoas certas nos lugares certos;
Planejamento com acompanhamento;
Empoderamento da linha de frente por meio da delegação planejada; e
Geração de resultados aliada ao espírito de servir (ao cliente – cada vez mais e melhor).

Dizia Dr. Norberto Odebrecht que um verdadeiro empresário não pode ser pessimista, senão ele não é um empresário. É um terrorista!

Absoluta verdade. Quando um Líder Empresarial começa a transmitir à sua equipe o pessimismo, este sentimento vai se irradiando até contagiar a todos dentro da empresa e, pessoas com baixo moral e astral jamais serão produtivas.

Nizan Guanaes, brilhante publicitário e empresário, ao perceber o sentimento negativista que havia se instalado na sua agência na crise econômica mundial de 1998/99, trocou todos os móveis e a decoração da empresa numa clara demonstração de que não se pode deixar abater por cenários negativos.

Há que se ter atitude a ação! Até porque, intenção menos ação é igual a nada.

Isto se consegue com um ótimo clima empresarial aliado ao Planejamento Executivo anual que denominamos de Programas de Ação onde cada Líder terá pactuado suas prioridades, resultados com metas (desafiadoras e exequíveis) e orçamento (competência, caixa e investimento).

Estimular a toda a equipe, em especial aos Líderes, é tarefa do Empresário para que todos tenham a responsabilidade de converter problemas gerados pela crise em oportunidades de negócio.

Não se trata de divisão de responsabilidades.

Ao contrário, é a concentração de responsabilidades com seletividade e foco, delegando de forma planejada, acompanhando e premiando o mérito pelos resultados alcançados e/ou superados.

Quando alguém ou uma empresa se retrai, é certo que outra irá ocupar o vácuo.

Portanto, encarar uma situação como crise ou oportunidade vai depender da análise do cenário e da ação a ser implementada.

No filme Grand Prix (1966) o piloto Jean Pierre em conversa com sua namorada sobre acidentes, diz: “quando vejo um acidente na pista piso mais fundo no acelerador, pois sei que todo mundo vai tirar o pé”.

Quando ela responde “mas isso é uma forma horrível de vencer”, ele prontamente diz: “não existe forma horrível de vencer, você apenas vence”.

E você? Vai pisar no acelerador ou tirar o pé?
[1] Cliente está referido no singular para que se tenha a consciência de que cada Cliente deve ser tratado como único.

[2] Fonte Revista Exame edição 1083.